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5 livros de autores brasileiros que você precisa ler6 min leitura


Ler é viajar sem sair do lugar. 😍📚 A literatura, mesmo que ficcional, sempre nos ensina alguma coisa sobre o mundo e sobre nós mesmos. Como leitores que somos fizemos nossa própria lista de títulos favoritos. Eis o nosso top 5 entre clássicos e contemporâneos da literatura brasileira. Anota aí!  

1. O Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa (1956)

O livro “Grande Sertão: Veredas” escrito em 1956 por João Guimarães Rosa, é considerado um marco na literatura brasileira. O romance, protagonizado pelo ex-jagunço Riobaldo, narra em primeira pessoa, conflitos internos e externos da vida no sertão. Amores, medos e guerras que resultaram 600 páginas de uma narrativa corrida, sem divisão por capítulos.

É um romance experimental modernista que mistura elementos linguísticos da primeira fase do modernismo e o regionalismo da segunda fase. A incorporação da linguagem sertaneja é um dos diferenciais do livro, que foi traduzido para o inglês e para o alemão. A obra intercala entre as paixões e vivências do protagonista e seus devaneios filosóficos existenciais. Se você ainda não leu, corre para a biblioteca mais próxima e comece hoje mesmo!  

2. Macunaíma – Mário de andrade (1928)

Macunaíma é uma narrativa mítica que não segue lógicas realistas. O livro escrito por Mário de Andrade, conta a história do jovem Macunaíma, retratado como “um herói mal caráter”. Macunaíma nasceu na Amazônia e desde criança tinha a preguiça como sua principal característica. Vivia pelos matos aprontando suas traquinagens com quem cruzasse seu caminho, e por isso, foi abandonado pela própria mãe.

A história se desenrola com as aventuras sexuais, espirituais e batalhas entre o herói, monstros e deuses Brasil a fora. Macunaíma percorre diversas cidades brasileiras e a américa Latina em busca da Muiraquitã, um amuleto mágico que ganhou de seu grande amor, Ci, a mãe do mato, e perdeu em uma batalha com o monstro Capei.         

Com Macunaíma, o autor tentou retratar as origens e características da cultura e do povo brasileiro. É considerada uma das obras primas de Mário de Andrade, elogiada pela experimentação linguística que traz a miscigenação dos modos de fala de todo o Brasil. Foi traduzida para várias línguas e adaptado para o cinema, quadrinhos e teatro.   

3. Memórias póstumas de Brás Cubas – de Machado de Assis (1880)

Em memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis inventa uma nova perspectiva narrativa ao criar um narrador que resolve contar a história de sua vida depois de morto. O livro é lembrado também por criticar através da ironia, os privilégios da elite da época.

Outro marco do estilo de Machado de Assis é a forma como ele se utiliza das figuras de linguagens para dar o tom da história, usando da ironia e do eufemismo para que o leitor entenda o sentido das coisas, sem necessariamente dar nome aos bois. Um exemplo disso é a personagem Marcela, uma prostituta de luxo, por quem Bras se apaixona. Ela nunca é referida como tal, mas fica claro na maneira como o autor conduz a narrativa.

O livro começa pelo dia da morte Bras e segue contando suas aventuras mundanas, de uma vida regada a farras e muito dinheiro. Bras Cubas vive e morre gozando de todas as futilidades que ter nascido em berço de ouro lhe proporcionaram. Encheu seus “amores” de presentes carros e estudou em uma universidade em Coimbra, obrigado pelo pai, mas nunca teve competência nem necessidade de trabalhar. Entre as várias tentativas de casamento e de seguir a vida política, no fim das contas, Bras acaba morrendo sem alcançar nada notável. Não casou, não fez carreira pública, não teve filhos. Apenas viveu e morreu esbanjando a fortuna herdada dos pais.      

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4. Eu ouviria as piores notícias dos seu lindos lábios – Marçal Aquino (2005)

Um romance contemporâneo que se destaca pela forma da escrita. O livro conta por meio de uma narrativa poética e não linear, a história de Cauby, um jovem fotógrafo paulistano. A história é narrada da perspectiva do protagonista, que resolve largar tudo e viver novas experiências no norte do país. Acaba se instalando no interior do Pará onde atua como fotógrafo para o único jornal da região.

Cauby tromba com Lavínia, mulher do pastor da Cidade, por quem se apaixona instantaneamente. Os dois vivem um romance intenso e conflitivo. O livro se destaca pelo desenvolvimento dos personagens, que possuem um perfil psicológico tão bem construído e compartilhado com o leitor, que cada ação tomada por eles se justifica.  

É um livro que se destaca na literatura contemporânea e apesar da sugestão do título, está longe de ser um romance clichê. A forma como a narrativa dá saltos no tempo sem avisos, num primeiro momento podem confundir o leitor, mas ao longo dos capítulos a história flui e deixa de ser importante saber em que momento as coisas estão acontecendo. O livro foi adaptado para o cinema em 2012 por Beto Brant e Renato Ciasca. O filme foi protagonizado pela Atriz camila Pitanga que interpreta a personagem Lavínia, paixão proibida de Cauby.

5. A bolsa amarela – Lygia Bonjuga (1976)

Esse talvez seja a maior surpresa da lista, por dois motivos: você não vai encontrá-lo nas listas de grandes clássicos e também por ser classificado como literatura infantojuvenil. Mas por que ele está aqui? A obra é narrada por uma menina que encontra em uma bolsa amarela o esconderijo perfeito para as suas três vontades que não param de crescer. A vontade de ser menino, a vontade de ser grande e a vontade de crescer.

A linguagem da autora é perfeitamente compreensível para o público ao qual é destinado, mas as discussões que surgem na narrativa através de metáforas infantis, são bastante complexas. A protagonista entra em conflito consigo mesma e se vê obrigada a reprimir suas vontades por ser “julgada” pelos adultos que a rodeiam. O livro questiona, entre outras coisas, a estrutura familiar tradicional em que a criança não pode expressar sua personalidade e vontades.

Um dos destaques da história é a relação da protagonista com o próprio gênero. No início do livro uma ela fala que gostaria de ter nascido menino, porque meninos podem e fazem coisas que meninas não podem. Mas ao longo da sua jornada com os amigos inventados por ela, a personagem entende que o problema não está em ser menina, que ser menina pode ser muito legal e que ela pode sim fazer o que ela quiser. A primeira edição do livro é de 1976, mas a discussão que ele provoca é extremamente atual. É uma reflexão bastante profunda para uma criança, mas a leveza da escrita de Bonjuga faz com que tudo pareça fácil, leve e possível.

E então, o que achou do nosso top 5? Gente, foi difícil escolher só cinco viu, a literatura brasileira tem um montão de livros incríveis, mas outra hora a gente fala mais sobre isso. Boa leitura! 😀 

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